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Análise de liquefação de solos em Campina Grande: avaliação sísmica para projetos seguros

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Campina Grande cresceu sobre o Planalto da Borborema, onde os sedimentos cenozoicos da Bacia de Fátima e os aluviões dos riachos urbanos frequentemente mascaram o embasamento cristalino. Essa combinação de solos arenosos saturados em cotas baixas, somada à sismicidade intraplaca registrada no Nordeste, torna a avaliação de susceptibilidade à liquefação um passo técnico incontornável em obras de maior porte. O evento de 2012 com epicentro próximo a João Câmara reacendeu o alerta para a região, e desde então as exigências normativas da ABNT NBR 15421:2020 passaram a integrar o escopo de projetos geotécnicos que envolvam solos granulares fofos abaixo do nível d'água, especialmente em aterros e margens de corpos hídricos urbanos.

A liquefação não é exclusiva de margens tectônicas ativas: as bacias intraplaca do Nordeste exigem análise criteriosa em areias saturadas sob lençol freático raso.

Como trabalhamos

Um erro que observamos com frequência na região é reduzir o estudo sísmico a uma simples classificação tátil-visual do solo em campo. Isso leva a falsos negativos: areias finas siltosas, comuns nos terraços aluviais do Riacho Bodocongó, podem apresentar comportamento contrátil sob carregamento cíclico mesmo quando parecem compactas ao manuseio. Em nosso laboratório acreditado pela ISO 17025, combinamos dados de sondagens SPT com medições de velocidade de onda cisalhante (Vs) e, quando o risco é elevado, executamos ensaios CPTu para obter perfis contínuos de resistência de ponta e poropressão. A estimativa do fator de segurança contra a liquefação segue os critérios de Seed & Idriss, recalibrados para a sismicidade regional, e os resultados são apresentados em termos de potencial de liquefação (PL) e deslocamentos pós-sísmicos esperados, conforme exige a NBR 15421 para estruturas das classes de importância 2 e 3.
Análise de liquefação de solos em Campina Grande: avaliação sísmica para projetos seguros
Imagem técnica de referência — Campina Grande

Contexto geotécnico local

Acompanhamos uma escavação profunda na Avenida Floriano Peixoto onde o rebaixamento do lençol freático expôs uma camada de areia fina siltosa a 3 metros de profundidade, com NSPT entre 3 e 6 golpes. Durante a execução de estacas hélice contínua, o vibrador induziu um aumento momentâneo da poropressão que provocou um afundamento localizado do terreno adjacente. Felizmente, o monitoramento com piezômetros de corda vibrante havia sido instalado previamente e a equipe interrompeu a operação antes que o fenômeno evoluísse para uma ruptura generalizada. Esse episódio reforçou a necessidade de incluir a análise de liquefação mesmo em obras que, à primeira vista, não seriam classificadas como de alto risco sísmico, mas que estão assentadas sobre depósitos quaternários saturados típicos do compartimento morfológico deprimido de Campina Grande.

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Dados técnicos

ParâmetroValor típico
Norma de referênciaABNT NBR 15421:2020
Método de campo principalSPT com medição de N60 e coleta indeformada
Ensaio complementarCPTu com dissipação de poropressão
Parâmetro geofísicoVs (onda cisalhante) por cross-hole ou MASW ativo
Critério de análiseFator de segurança (FL) e Potencial de Liquefação (PL)
Magnitude de projetoMw 4,5 a 5,2 (sismicidade regional)
Profundidade investigadaAté 20 m ou topo rochoso impenetrável
Relatório finalMapa de iso-FL e estimativa de recalques pós-liquefação

Serviços técnicos vinculados

01

Sondagens SPT com medição de N60

Executamos furos com circulação de água e amostrador padrão, registrando a resistência à penetração corrigida para a energia de 60%. Coletamos amostras indeformadas a cada metro para ensaios de granulometria e limites de Atterberg, fundamentais para a classificação do solo no gráfico de Tsuchida e para a estimativa do potencial de liquefação.

02

Ensaios CPTu com medição de poropressão

O piezocone fornece um perfil contínuo de resistência de ponta, atrito lateral e poropressão dinâmica. Esses dados permitem identificar lentes de areia fofa intercaladas com argilas moles, que muitas vezes passam despercebidas em sondagens SPT espaçadas, e calibrar os fatores de correção por finos e drenagem parcial.

03

Geofísica com MASW ativo e down-hole

A velocidade da onda cisalhante (Vs) é o parâmetro mais robusto para estimar a resistência cíclica normalizada (CRR) em solos granulares. Realizamos perfis sísmicos com fonte de impacto e geofones de 4,5 Hz, processando as curvas de dispersão para obter Vs30 e o perfil unidimensional de rigidez até a profundidade de investigação requerida.

Normas técnicas vigentes

ABNT NBR 15421:2020 - Projeto de estruturas resistentes a sismos, ABNT NBR 6484:2020 - Sondagens de simples reconhecimento com SPT, ABNT NBR 6122:2019 - Projeto e execução de fundações, ABNT NBR 16843:2020 - Ensaio de piezocone (CPTu)

Perguntas frequentes

Quando a análise de liquefação é obrigatória em um projeto de fundações em Campina Grande?

A obrigatoriedade decorre da ABNT NBR 15421:2020, que exige a verificação do potencial de liquefação sempre que houver camadas de areia saturada com NSPT inferior a 15 golpes e profundidade do lençol freático menor que 10 metros, em estruturas classificadas como classe de importância sísmica 2 ou 3. Em Campina Grande, os aluviões quaternários ao longo dos riachos urbanos frequentemente atendem a esses critérios, e a prefeitura tem exigido o laudo específico para aprovação de edificações acima de 4 pavimentos nessas microbacias.

Qual a diferença entre o fator de segurança contra liquefação (FL) e o potencial de liquefação (PL)?

O FL é calculado ponto a ponto ao longo da profundidade como a razão entre a resistência cíclica do solo (CRR) e a tensão cisalhante cíclica induzida pelo sismo (CSR). Valores de FL menores que 1,0 indicam que a liquefação pode ser deflagrada naquele estrato. O PL, por sua vez, integra os fatores de segurança ao longo de todo o perfil, ponderando pela espessura das camadas e pela profundidade, e resulta em um índice que classifica o terreno de 'baixo' a 'muito alto' potencial. É o PL que orienta decisões sobre necessidade de melhoramento do solo ou alteração do tipo de fundação.

Que tipo de melhoramento de solo vocês recomendam quando o potencial de liquefação é elevado?

Depende da espessura da camada liquefazível e da carga estrutural. Para camadas de até 8 metros, a vibrocompactação com sonda vibratória é eficaz para densificar areias limpas. Em areias siltosas, onde a vibrocompactação perde eficiência, recomendamos colunas de brita compactadas, que funcionam como drenos verticais dissipando rapidamente o excesso de poropressão. Para projetos de grande porte, já aplicamos injeções de permeação com calda de cimento de baixa viscosidade, sempre precedidas de ensaios de injetabilidade em laboratório para verificar a penetração nos finos.

Quanto custa uma campanha completa de análise de liquefação em Campina Grande?

O investimento para uma campanha completa, incluindo 3 furos de SPT com medição de torque, 2 ensaios CPTu até 15 metros de profundidade, perfil MASW ativo e relatório com análise de FL e PL, situa-se entre R$6.110 e R$11.530. A variação depende da acessibilidade do terreno, da profundidade do lençol freático e da necessidade de ensaios triaxiais cíclicos para calibração dos parâmetros de resistência. Emitimos orçamento detalhado após visita técnica sem custo ao lote.

Localização e área de serviço

Atendemos projetos em Campina Grande e arredores.

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