Um erro recorrente em obras na região de Campina Grande é assumir o coeficiente de permeabilidade baseado exclusivamente em tabelas de literatura, ignorando a influência das fraturas e descontinuidades do maciço cristalino do Planalto da Borborema. A cidade, situada sobre o Embasamento Pré-Cambriano, possui um perfil de solo residual e saprolítico onde a condutividade hidráulica é governada por estruturas reliquiares da rocha matriz. Quando o projeto de rebaixamento do lençol freático ou a cortina de injeção de uma barragem são dimensionados com valores teóricos, os desvios no fluxo real comprometem prazos e orçamentos. O ensaio de permeabilidade in situ elimina essa incerteza ao quantificar a absorção no maciço rochoso ou no solo, fornecendo dados primários para modelos numéricos tridimensionais e para a seleção de sistemas de drenagem profunda em escavações urbanas.
Em maciços fissurados do cristalino, a unidade Lugeon revela o consumo real de calda por metro de furo, eliminando o empirismo dos projetos de cortina de vedação.
Contexto geotécnico local
O crescimento urbano de Campina Grande a partir dos anos 1960, impulsionado pela interiorização industrial, expandiu a malha de galerias pluviais e canais sobre solos residuais com permeabilidade altamente anisotrópica. Escavações para edifícios de múltiplos pavimentos no bairro da Prata ou na região central interceptam horizontes de rocha alterada onde o fluxo se concentra em descontinuidades subverticais, gerando erosão interna progressiva (piping) se o gradiente hidráulico exceder o crítico. O dimensionamento inadequado de sistemas de drenagem, sem dados de campo, resulta em recalques diferenciais por colapso da estrutura do solo e instabilização de taludes de corte durante o período chuvoso. A execução do ensaio in situ antes da fase de fundações permite calibrar o modelo de fluxo transiente e projetar dispositivos de alívio de subpressão compatíveis com a permeabilidade real do maciço.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre o ensaio Lefranc e o ensaio Lugeon e quando cada um é aplicado em Campina Grande?
O ensaio Lefranc é executado em solos e horizontes de rocha muito alterada (saprolito), medindo a permeabilidade em uma cavidade cilíndrica isolada por revestimento, com carga constante ou variável. Já o ensaio Lugeon é específico para maciço rochoso fraturado, onde um obturador pneumático isola um trecho do furo e a água é injetada sob pressão controlada em cinco patamares. Em Campina Grande, a transição entre solo residual e rocha ocorre de forma irregular devido ao perfil de alteração dos gnaisses do Complexo São Caetano, de modo que campanhas típicas utilizam Lefranc nos primeiros 6 a 10 metros e Lugeon nos trechos em rocha sã ou pouco alterada a partir da cota de recusa do amostrador SPT.
Quanto custa um ensaio de permeabilidade in situ tipo Lefranc ou Lugeon em Campina Grande?
O investimento para um ensaio de permeabilidade in situ em Campina Grande situa-se na faixa de R$1.400 a R$2.220 por trecho ensaiado, variando conforme a profundidade do furo, a quantidade de patamares de pressão (no caso Lugeon) e a necessidade de deslocamento de equipe até áreas rurais do agreste. Para campanhas com múltiplos furos é possível programar um cronograma otimizado que dilui os custos de mobilização. Emitimos relatório técnico com curvas de absorção, memória de cálculo e ART do engenheiro responsável.
O ensaio Lugeon pode ser executado no mesmo furo da sondagem rotativa?
Sim, e essa é a prática mais eficiente. Após a conclusão da manobra de perfuração do trecho de rocha, o furo é limpo com circulação de água limpa e o obturador é posicionado na profundidade desejada. Executa-se então a sequência de cinco patamares de pressão (recomendação de Houlsby), registrando vazão estabilizada e pressão efetiva no manômetro digital. O ensaio é repetido a cada 3 ou 5 metros de avanço, gerando um perfil contínuo de absorção específica que alimenta diretamente o projeto de cortina de injeção ou o cálculo de subpressão em estruturas de contenção.